- [alcançada a p. 152, de 203]
RECORTE(s)
No quarto que dava para o terreno baldio e por onde às vezes entrava o cheiro dos jasmins e das laranjeiras, o meu tio construíra uma biblioteca - a única da casa - e que me parecia a maior do mundo e repleta dos livros que eu ambicionava ler. [...] Parecia-me uma biblioteca infinita. [...] Com o passar dos anos [...] percebi que era uma boa biblioteca, embora não tão extensa como eu acreditara em pequena. Mas, para mim, aos doze anos, reunia muito mais do que eu conseguia devorar. Por outro lado, era uma biblioteca muito completa: de Homero ao Ulisses de Joyce, não faltava nenhum dos livros de um bom leitor contemporâneo, sem géneros preferidos, embora eu soubesse que o meu tio gostava muito de Juan Ramón Jiménez [...] e Antonio Machado. [...] ali estavam tanto os romances de Jean Paul Sartre e Albert Camus como a Eneida de Virgílio, Um Quarto Só Seu, de Virginia Woolf, ou A Mãe, de Gorki. [...] Não sei com que livro comecei, nem com qual terminei, mas lembro-me de ter lido os poemas de Amado Nervo, Dom Quixote de La Mancha, as peças de Eugene O´Neill e os contos de William Saroyan. [...]
Cristina Peri Rossi, A insubmissa, 2026, pp. 150-151













